Do louco ela fugiu porque existia
Porque era ela própria desatino
Morreu omissa triste a cada dia
Temendo o desandar de seu destino:
*
“Caos e tempestade, pequei por omissão!
Omissa, permiti calar os fluxos
dos gritos-agonia e do pedido:
Vínculo!
Vínculo é matéria de tecido
é seda, linha, macia, som-do-mundo
.
Ele e sua infância eterna!
O medo era porque criança mata
Sonhei com a menina assassina
e com homem paranoico em farrapos
Ali eu era santa-acolhedora
Aqui eu os temi vivos em mim.
.
Meu sexo era dele e ele meu
Não éramos nem homem nem mulher
Deixei-lhe uma rosa azul e pétala
e ele me entregou sua morada
Corri aflita infeliz sozinha
Pra sempre insana e sempre em discrição.
.
Eu me esqueci,
não da loucura dele,
mas de meus próprios gritos enterrados
da minha antiga pose de rainha
do cortem-lhe a cabeça aos desafetos
Abandonei o que me fazia monstro
e também a generosidade – aquela
que daqui descia aos feixes rumo ao nunca
ao tudo
ao antes
ao sempre
ao que vivia!
.
Amor e paranoia ainda existem:
mas eu me faço reta como pedem.
Pequei por omissão, tenho certeza
no dia em que fingi que não me ouvi!”
tão intenso que faz silenciar…
belíssima escrita!
Estão bonitos teus poemas, querida.
Têm a tua força.
Beijo,